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A romantização da maternidade 

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Certa vez, vi o relato de uma grávida que questionava em sua rede social 
sobre a 
romantização da maternidade, falando que as mulheres mostram-se plenas e felizes, 
passando a visão de uma gestação ideal, onde sentem-se lindas, donas de si, gratas por 
receberem a dádiva de gerar vida. 
Essa gestação idealizada e fantasiada cuja a imagem é transmitida, 
provocou 
incomodo quando a gestante que realizava o desabafo se deparou com 
medos, 
limitações, impedimentos para seguir temporariamente seus projetos, 
necessidade de 
reduzir a carga de trabalho, recomendação médica para repouso e se perguntava porque 
ninguém fala sobre a maternidade real com seus desafios? 
É sabido que cada mulher se relaciona e vivencia de uma forma a gestação, umas 
amam ficar grávidas, outras não gostam do seu corpo grávido, 
existe as que se 
relacionam com o bebê, outras não, a maternidade é envolvida por 
fantasias e desejos, 
permeada pela história de vida da gestante e família. A questão aqui, 
é que independente 
do que a mulher esteja sentindo e vivendo, nem sempre encontra espaço 
para 
compartilhar seus reais sentimentos, desejos, medos, pois não encontra 
acolhimento na 
sociedade que não permite e não entende como ela pode não estar feliz nesse momento tão sublime. 
Essa forma de relacionamento com a maternidade é uma construção social que a história nos conta. Quando os bebês nasciam eram levados para ama de leite cuidar na fase inicial da vida e longe do convívio familiar, 
com outros bebês, muitos morriam, então 
para reduzir a mortalidade, a maternidade foi romanceada, criando uma vinculação da 
imagem materna a de Maria, mãe de Jesus, proporcionando um laço do bebê com a 
família, principalmente com a mãe, que passa a cuidar exclusivamente desse bebê, amamentá-lo, e assim reduzindo a mortalidade infantil.
Dessa forma, começa a ser visto 
como inadmissível não estar feliz, plena, nesse momento tão divino. 
O fato é que na maternidade real, além da possibilidade de construção de amor, vínculo, existe também a ambivalência, 
onde a mulher deseja e não deseja o filho, quer e 
não quer estar grávida, sente alegria, prazer, satisfação, medo, insegurança, tristeza, 
entre outros, mesmo quando planejou, desejou a gestação, quer ser mãe e ama o bebê. 
A gravidez é um dos momentos potenciais de crise vividos pela mulher durante sua 
existência, nessa fase, acontece uma desadaptação, desconstrução e necessidade de 
readaptação a novos papéis, novas responsabilidades, nova organização da casa e das 
rotinas, crescimento da família, amadurecimento das relações, planejamento financeiro e isso tudo causa ansiedade, 
temores frente ao novo e desconhecido momento que está 
vivendo. 
Mesmo na gravidez planejada, pode ocorrer coisas que fogem ao controle e 
conhecimento prévio, como complicação de um quadro clínico, enjoo, aumento de peso, 
cansaço, sonolência, isso angustia frente a imagem de gestante perfeita e
ideal vendida pela mídia, onde a mulher sente-se linda, bem disposta, pratica yoga, pilates, 
hidroginástica ou outra atividade indicada para gestante e é nesse cenário que a mulher é 
confrontada e acredita que tem alguma coisa errada com ela, pois diferente das demais, 
não sente essa felicidade ou não se  linda e plena o todo tempo, mesmo amando e 
desejando seu bebê. 
Diante desse cenário, 
pode-se contar com o profissional da psicologia para auxiliar 
nessa fase da vida, por meio de sua escuta em diversos tipos de atuação, poderá acolher 
propiciando intervenções importantes para a saúde mental da gestante, vinculação e 
desenvolvimento do bebê. 

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