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Violência contra a mulher na gestação e parto pode levar a problemas de saúde mental no pós-parto

Mulheres que sofrem violência de qualquer tipo têm maiores probabilidades de desenvolverem problema de saúde mental.

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Muitas mulheres são alvos de violência de todos os tipos (física, verbal,
psicológica e sexual), é grande o número de mulheres que relatam ter experiênciado
algum tipo de violência. O número de denuncias é grande, entretanto, há ainda um
número maior quando pensamos nas que não denunciam.

Diversos tipos de violência contra a mulher

Além da violência domestica que muitas mulheres sofrem, há também um
número crescente de relatos de mulheres que vivenciaram a violência obstétrica, portanto
Violência obstétrica é quando o profissional da saúde não respeita o corpo e o processo
reprodutivo da mulher, tratando-a de forma desumanizada, os tipos de violências
perinatal também são do tipo (física, verbal, psicológica e sexual).

Mulheres que sofrem violência de qualquer tipo têm maiores probabilidades de
desenvolverem problema de saúde mental. Em uma pesquisa de revisão de literatura
conduzida por Ribeiro e Colaboradores (2009) identificaram que uma parte importante
dos problemas de saúde mental em países em desenvolvimento como o Brasil pode ser
atribuída à violência. Entre as mulheres violentadas os problemas de saúde mental mais
frequente são: depressão, ansiedade e estresse pós-traumático.

Gestantes expostas á violência doméstica também são mais propensas a
desenvolver sintomas psiquiátricos (PEREIRA; LOVISI, 2008; LANCASTER et al.,
2010), além de prejudicar o desenvolvimento fetal, podendo causar prejuízos futuros ao
desenvolvimento infantil (ENGLE, 2009).

Violência Obstétrica também é Violência contra a mulher

A violência obstétrica se evidencia no momento do parto, e infelizmente esse
ainda é um tipo de violência que muitas mulheres nem mesmo sabem que estão sendo
vítimas. Cerca de 70 a 80% das mulheres no inicio da gestação desejam ter um parto
normal, mas infelizmente ao longo do tempo principalmente por influencia de seu
obstetra durante o pré-natal as mulheres vão deixando o desejo de parir dando lugar a
aceitação de uma cesariana.

Mas a cesariana é uma violência contra a mulher ??

Quando não há o desejo da mulher e não há nenhum tipo de indicação pautada
em evidencia científica de que é necessária uma cesariana, sim, aí é uma violência
contra o desejo e o corpo da mulher. Mulheres que não foram respeitadas sobre seu
desejo de ter seu filho pelo parto normal, tendem a ter depressão pós-parto e muitas
vezes se torna difícil o relacionamento mãe/bebê. Não só por causa da depressão, mas
também porque quando ocorre uma cesariana, em muitos hospitais no Brasil mãe-bebê
não ficam próximos nos primeiro momentos após o nascimento da criança,
principalmente porque essas mulheres ficam em uma sala de recuperação até voltar da
anestesia e o recém nascido acaba ficando esse tempo no berçário.
Tal separação muitas vezes impede o enamoramento da dupla nas primeiras
horas pós-parto, esse enamoramento é importante para o desenvolvimento do vínculo.

Para Michel Odent, importante médico Frances considerado símbolo do parto natural, a
primeira hora após o nascimento é um momento de extrema importância para o
desenvolvimento do vínculo entre mãe e filho. Essa primeira hora tanto a mãe quanto a
criança ainda não eliminaram os hormônios que ambos secretam durante o processo de
parto, esse coquetel de hormônios são responsáveis pela capacidade de amar e formação
do vínculo.

Quando é retirada da dupla mãe-bebê essa oportunidade única na vida, pois
nunca mais os hormônios do amor estarão presentes em perfeita sintonia no corpo de
ambos como na primeira hora após o parto, isso então pode afetar de alguma forma a
relação mãe-filho.

No contexto do parto o que mais se enquadra como violência contra a mulher

Não só a cirurgia cesariana pode ser considerada violência obstétrica como
também o desrespeito com o corpo da mulher no parto vaginal. Infelizmente no Brasil
hoje temos um modelo de parto vaginal muito agressivo cheio de intervenções
desnecessárias e não baseadas em evidencias científicas. A dor do parto vaginal,
portanto, é triplicada não pela fisiologia natural da mulher, mas por causa das
intervenções realizadas que muitas vezes somam-se a dor física a dor moral e
psicológica. No final das contas a mulher acaba sentindo esse momento não mais como
deveria ser um momento bonito e mágico em sua vida, mas, sim como um momento de
dor e terror. Tal vivencia em geral pode levar a mulher a apresentar o transtorno de
estresse pós-traumático no pós-parto, tendo como fator desencadeante do transtorno os
eventos do parto.

Sendo assim todo tipo de transtorno mental no puerpério pode influenciar negativamente na
relação mãe-bebê e consequentemente pode levar a prejuízos ao desenvolvimento
infantil.
Se você se identificou como tendo sofrido algum tipo de violência citada no
texto e teve bebê a menos de um ano e apresenta sintomas tais como: insônia, falta de
apetite, pesadelos, choro fácil, tristeza, vontade de fugir de tudo, isolamento, medo,
sentimento de incapacidade e desejo de morrer. Procure imediatamente ajuda
especializada de um profissional da saúde.

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